Gelo ou Calor? O que fazer quando o joelho reclama depois do jogo ou treino?

Quando o joelho acorda inchado, quente ou dolorido, a dúvida mais comum que recebo no consultório é: “Doutor, devo fazer compressa quente ou gelo?”

A resposta errada pode piorar o quadro inflamatório. Por isso, preparei este guia rápido para você não errar.

A Regra de Ouro: Aposte na Crioterapia (Gelo)

Para dores agudas, traumas recentes (pancadas) ou quadros de inchaço visível (edema), o gelo é, sem dúvida, a melhor escolha.

Fisiologicamente, o frio provoca a vasoconstrição. Isso significa que ele contrai os vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo de sangue na região afetada. O resultado é a redução do inchaço e um efeito analgésico natural, “anestesiando” as terminações nervosas.

Por que o calor pode ser um vilão nesse momento?

A compressa quente faz exatamente o oposto: ela provoca a dilatação dos vasos (vasodilatação).

Se o seu joelho já está passando por um processo inflamatório agudo (quente e inchado), aplicar calor vai atrair ainda mais sangue para o local. Isso pode aumentar o edema, a sensação de latejamento e prolongar a dor. Deixe o calor apenas para relaxamento de tensões musculares crônicas (como dores nas costas), não para articulações inflamadas.

O Protocolo Correto de Aplicação:

Para obter os benefícios sem queimar a pele, siga estas recomendações:

  • Proteção: Nunca aplique o gelo diretamente sobre a pele. Utilize um pano fino ou toalha entre a bolsa térmica e o joelho;
  • Tempo: De 15 a 20 minutos é o tempo ideal. Aplicações mais longas não aumentam o benefício e podem lesionar a pele;
  • Frequência: Em casos de dor intensa, o procedimento pode ser repetido a cada 3 horas.

Lembre-se: o gelo alivia os sintomas, mas não trata a causa da lesão. Se a dor persistir, se houver travamento ou sensação de instabilidade (“falseio”), é fundamental agendar uma avaliação ortopédica para um diagnóstico preciso.