Sua mente quer mudança rápida. O problema é que o seu corpo tem um tempo biológico diferente.
É muito comum recebermos no consultório pacientes com lesões na terceira semana de janeiro. Existe uma explicação fisiológica para isso, que chamo de “descompasso de adaptação”.
O Descompasso Fisiológico: Músculos vs. Tendões
O grande perigo do retorno repentino aos treinos é que os diferentes tecidos do nosso corpo não evoluem na mesma velocidade:
- Sistema Cardiorrespiratório e Músculos: Adaptam-se rápido (em questão de semanas). Você sente que tem fôlego e força para correr mais ou levantar mais peso.
- Tendões, Ligamentos e Cartilagem: Têm um metabolismo mais lento e vascularização diferente. Eles demoram meses para ganhar a resistência necessária para suportar cargas maiores.
O resultado? Você tem “motor” (força e fôlego) para realizar o exercício, mas a “carroceria” (suas articulações) ainda não tem estrutura para absorver esse impacto. É nesse momento que surgem as tendinites, dores patelares e lesões por overuse (excesso de uso).
O Sinal de Alerta: A “Dor Fria”
Fique atento a este sintoma: a dor que não aparece durante o treino (quando o corpo está quente e cheio de endorfina), mas surge no dia seguinte ou assim que o corpo esfria. Isso geralmente indica que houve uma sobrecarga tendínea ou articular.
A Regra de Ouro dos 10%
Quer evoluir sem visitar o ortopedista em fevereiro? Siga a regra clássica da Medicina Esportiva: A Regra dos 10%.
Nunca duplique a carga ou a distância de uma semana para a outra. Aumente apenas 10% a 15% a intensidade ou o volume semanalmente. Dê tempo para seus tendões alcançarem a força dos seus músculos.
A meta é treinar o ano todo, não apenas em janeiro. Se sentiu fisgadas ou dor persistente, não force. Vamos ajustar essa rota para você não precisar parar. Agende sua avaliação.


